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Açaí: os novos poderes da superfruta
Investigado por diversos centros de pesquisa, o fruto mostra sua
força na defesa do cérebro, no controle do colesterol e até na
prevenção do câncer
Diz a lenda que essa frutinha roxa com até 1,5 grama foi criada
por Tupã, a entidade indígena associada aos trovões, para salvar
uma tribo brasileira da fome. Aos olhos da ciência, porém, o açaí
tem demonstrado que sua função mais trivial é forrar a barriga da
gente. Entre seus feitos confirmados em laboratório estão a
criação de barreiras protetoras para os neurônios, a derrubada dos
níveis de colesterol e até mesmo a redução do risco de alguns
tipos de câncer. Não é à toa, portanto, que a espécie típica dos
ribeirinhos do Norte do país ganhe o mundo com status de
superalimento - condição que faz com que nenhum estudioso se canse
de vasculhar sua composição.
Vem da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, um novo trabalho
que sinaliza o potencial de ação de sua polpa sobre a preservação
da massa cinzenta. Os pesquisadores observaram que o consumo
regular de açaí reduz a exposição das células nervosas a processos
degenerativos e inflamatórios recorrentes, fenômeno que abre
caminho ao colapso do tecido cerebral.
Uma das hipóteses que buscam explicar essa façanha é a presença de
substâncias antioxidantes, em especial a antocianina, que combatem
os radicais livres por trás de uma série de danos ao organismo.
"Os antioxidantes do açaí conseguem bloquear a formação dessas
moléculas nocivas no início do processo de ataque às células",
explica a especialista em tecnologia de alimentos Ediluci Tostes,
do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do
Amapá. E a fruta amazônica não causa espanto apenas pela qualidade
dos seus componentes. Em 1 litro da sua polpa, há 33 vezes mais
antioxidantes que o encontrado em um mesmo litro de vinho tinto,
bebida famosa por conter um monte desses ingredientes que varrem
da circulação os temíveis radicais livres.
Além dessa propriedade, substâncias do porte da antocianina
respondem por um efeito anti-inflamatório, o que soma forças para
deixar em paz as estruturas e as conexões cerebrais. Na prática,
isso significa uma menor probabilidade de ocorrer um
comprometimento crônico e progressivo de funções cognitivas, como
a memória e a coordenação motora. "É por isso que o açaí teria uma
ação preventiva contra males neurodegenerativos, caso das doenças
de Parkinson e Alzheimer", completa Ediluci.
A mesma antocianina que protagoniza benefícios ao cérebro pode
afastar outro problema que ameaça tanto a massa cinzenta quanto o
coração. É que sua ação antioxidante auxilia a debelar a formação
de placas nos vasos sanguíneos, o que pode culminar em derrames e
infartos. E é justamente esse papel protetor das artérias o que
tenta provar o cardiologista Eduardo Augusto Costa, professor da
Universidade Federal do Pará.
Ele dividiu a população da pequena cidade de Igarapé-Miri, no
estado paraense, em dois grupos: consumidores frequentes da fruta
e pessoas que não a comiam. "Descobrimos que indivíduos que a
ingerem regularmente apresentam taxas mais elevadas de HDL, a
fração boa do colesterol", conta Costa. "Enquanto isso, os níveis
de LDL, o colesterol ruim, estavam em níveis aceitáveis e melhores
do que os índices dos não consumidores da fruta", completa.
Já na Universidade de São Paulo (USP), a atenção está voltada para
outra substância, que surge quando a polpa é adicionada ao leite
antes da fermentação por bacté-rias, o que dá origem ao iogurte.
"Durante esse processo, o ácido linoleico do leite é transformado
em ácido linoleico conjugado, o chamado CLA", explica a
farmacêutica Maricê Nogueira de Oliveira, da USP. E hoje há
indícios de que essa espécie de gordura auxiliaria a impedir o
aparecimento de alguns tumores, como os de pele, mama e intestino.
O CLA teria outros efeitos dignos de nota. "Sua ingestão diária
poderia diminuir a massa gorda, aumentar a magra e até fortalecer
o sistema imune", diz Maricê. Se as defesas estão em alta, as
chances de sucesso do câncer despencam. O iogurte à base de açaí e
dotado de CLA deve chegar ao mercado em breve, representando uma
alternativa mais magra diante das tigelas e seus complementos
engordativos vendidos por aí. Será uma nova e vantajosa opção para
prestigiar a superfruta na rotina.
Companhias que engordam
O açaí em si é calórico, mas os outros ingredientes da tigela é
que costumam transformar a receita numa bomba. Quem precisa
emagrecer deve ficar atento
Mel 92,2 kcal (3 colheres = 30 g)
Granola 152 kcal (5 colheres = 50 g)
Banana 92 kcal (100 g)
Polpa de açaí 247 kcal (100 g)
Fonte: Abril Saúde
Caso Pedro Leonardo: entenda falta de oxigenação no cérebro
Depois de um acidente de trânsito, Pedro Leonardo, filho do cantor
Leonardo, segue internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo,
desde o último dia 20 de abril. Na manhã desta quarta-feira (9), o
médico do cantor, Roberto Kalil Filho, falou com a imprensa e
afirmou que o quadro atual de Pedro é o de oxigenação do cérebro,
o que pressupõe uma recuperação lenta e passível de sequelas.
O Terra conversou com dois especialistas que esclareceram como o
corpo reage a essa situação. De acordo com o neurologista Abouch
Krymchantowski, do Rio de Janeiro, as células nervosas são
nutridas de oxigênio e glicose. Quando são privadas de glicose,
elas podem encontrar outras fontes de energia, mas o mesmo não
acontece quando há a falta de oxigênio por mais de quatro ou cinco
minutos. Sem oxigênio, as células do cérebro acabam morrendo.
"Quando morre uma parte do cérebro, o paciente pode vir a morrer
ou ter sequelas permanentes", explica.
A oxigenação do cérebro geralmente acontece como consequência de
um evento mais grave, como um trauma craniano direto ou indireto;
certos tipos de hemor-ragia cerebral; causas metabólicas ou reação
à alguma medicação específica. No caso de Pedro, o problema é
decorrente do trauma. "O cérebro está em uma caixa fechada, que é
o crânio. Quando leva uma pancada, a defesa dele é inchar, só que
ele incha em um lugar que não tem para onde crescer. Com o
inchaço, o cérebro sofre com a compressão e isso prejudica a
chegada de oxigênio", pontua Abouch.
Tratamento e sequelas
De acordo com o neurocirurgião Emílio Fontoura, do Hospital San
Paolo, em São Paulo, o paciente que apresenta o quadro de
oxigenação no cérebro, como Pedro Leonardo, não sente dor e nenhum
outro sintoma físico. "É possível acordar daqui a 50 anos e não
saber o que se passou. Fisicamente ele não sente nada, esse é um
mecanismo de proteção cerebral", pontua.
A partir do diagnóstico, são tomadas várias providências para
tentar minimizar os efeitos do problema. Segundo explica Emílio,
entre as medidas clínicas estão os cuidados com a pressão arterial
do paciente, o uso de medicação vasodilatadora, a diminuição da
pressão intracraniana, entre outras.
Para que o paciente não tenha sequelas graves e volte a ter uma
vida normal, muitos fatores estão envolvidos, como o quanto e
quais áreas do cérebro foram lesionadas, além das ocorrências
durante o tratamento como paradas cardíacas ou embolias, situações
que podem complicar o quadro clínico.
De acordo com o especialista, a incidência ou não de sequelas
também está diretamente ligada à agilidade com a qual o problema é
identificado e passa a ser tratado. "A urgência no atendimento é
determinante na positividade ou negatividade do resultado final".
Entre as consequências mais comuns estão as sequelas motoras ou
distúrbios de fala permanentes, demências, perda de funções, perda
da visão, perda de memória. Entre as sequelas mais graves está o
coma vigil, no qual o cérebro pode passar anos sem responder a
estímulos.
Como a oxigenação do cérebro normalmente decorre de outros
problemas ou traumas, os especialistas são unânimes em dizer que a
maior forma de prevenção é evitar se colocar em situações de risco
no trânsito, minimizando assim as chances de acidentes. "O cérebro
é um órgão intocável. Você não pode traumatizá-lo, pois ele sempre
vai cobrar o seu preço", reforça Abouch.
Fonte: Terra |